Acerca da diversidade no mundo na moda

Acerca da diversidade no mundo na moda

OPINIÃO – Deixemos de falar em diversidade no mundo na moda. Isso é uma frase que simplesmente não existe.

Nesta altura todas sabem que a Vogue esteve recentemente na boca de todos, desta vez por causa da sua edição britânica para o mês de Janeiro de 2017. E porquê? a modelo que aparece na capa, Ashley Graham, ou como é conhecida por muitos, o modelo plus-size que durante 2016 foi capa da Sports Illustrated. Em outras palavras, a revista confiou pela primeira vez num modelo com medidas fortes mas fá-lo tão somente concentrando-se no seu rosto.  Nenhum sinal de uma imagem de corpo inteiro …

Ora a reportagem com Ashley Graham custou mais do que se possa pensar. O editora chefe da revista, Alexandra Shulman, não conseguiu encontrar mais do que uma marca de moda que pretendesse vestir um dos modelos de tamanhos largos mais reconhecido em todo o mundo. Nesta carta, Alexandra demonstra a sua frustração por muitas marcas se recusarem a vestir um tamanho XL.

Se Vogue, com o poder mediático que tem, numa sessão fotográfica com alguém tão conhecido como Patrick Demarchelier, não é capaz de encontrar roupa bonita para um tamanho 48, o que nos espera a nós, o resto das mulheres? Apenas Coach e o seu director criativo Stuart Vevers se ofereceram para encontrar tudo o que Ashley Graham precisava para mostrar toda a sua beleza e estilo das roupas que usava. A modelo de tamanhos grandes não tem medo de nada, e é normal vê-la no tapete vermelho com transparências e vestidos apertados.

Fala-se muito da diversidade da beleza, aceitação por parte do próprio corpo, mas no momento da verdade, quando as revistas de moda deitam mãos-à-obra, todo se converte num obstáculo. Os showrooms, muitas vezes têm um mostruário tamanho 36, e é difícil de encontrar algo fora daí no último minuto, mas se o Coach  pode fazer um esforço para encontrar roupas…Porque não o fizeram outras marcas?

Portanto, não é surpreendente que  modelos curvilíneas se tornem um pouco anedóticos, e que não seja feito nenhum progresso no sentido de uma verdadeira representação de todas as silhuetas e medidas no mundo da moda.

Sara Matos

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