Cirurgia estética nos adolescentes: nasce um fenómeno de moda?

Cirurgia estética nos adolescentes: nasce um fenómeno de moda?

Para um adolescente que não está à vontade consigo mesmo, sujeito à ditadura da moda e beleza que a sociedade actual lhes impõe, recorrer à cirurgia estética pode parecer uma cura milagrosa para terminar com esse problema.

Embora ainda não possamos falar de um “boom”, a verdade é que os pedidos de cirurgia plástica continuam a crescer entre os adolescentes. Os complexos de usar este meio estão literalmente no fim, cada vez são mais e mais naturais.Mas a democratização da cirurgia plástica não deve negligenciar o caso particular dos adolescentes, uma vez que “um adolescente não amadureceu completamente, logo os médicos e especialistas devem ser extremamente cautelosos sobre o assunto e mostrar muita paciência.

Os adolescentes não devem ser operados sob pretextos sem motivo, simplesmente porque assim o desejam. Não podemos esquecer que o corpo de um adolescente está a crescer, é um corpo que está em desenvolvimento e tudo o que seja passível de reproduzir, e a partir do ponto de vista estético pode muito bem ser muito prejudicial.

Problema ou identidade física?

Prudência e um período de reflexão suficientemente larga são as palavras-chave para identificar as reais motivações de um adolescente.Existem dois tipos principais de perfis:

1 – Para problemas estéticos de nascimento (um paciente com orelhas em abano, lábios, nariz deformado, ou ainda com ptose – queda da pálpebra superior), a procura parece justificada. Neste caso, os médicos optam por um período mais curto e, geralmente, a cirurgia é coberta ou pelo sistema nacional de saúde, ou seguro. Por outro lado, este tipo de cirurgia reconstrutiva tem vindo a ser praticada durante anos e, por vezes, em crianças muito jovens (entre 7 e 8 anos em crianças com orelhas salientes).

2 – Se o desejo da cirurgia está relacionado com uma questão de identidade, tanto os familiares como a equipa médica terão que ter muito cuidado.Porque apesar de cirurgia plástica nos adolescentes não ser recomendada, não é um acto proibido. Por esta razão, os médicos não assumem qualquer culpa quando questionada a possibilidade de mudança na aparência de um adolescente.

A cirurgia estética nos problemas estéticos de nascimento
A cirurgia estética nos problemas estéticos de nascimento

Numa idade em que o corpo ainda não está completamente formado, em que a personalidade ainda não está totalmente desenvolvida, e na qual um jovem é vítima de dúvidas e medos de serem questionados, qualquer mudança física pode ter um impacto sobre a sua psicologia e, consequentemente, vida futura.Existe um risco, e não é raro, de desenvolver uma personalidade dividida, daí a necessidade de assumir psicologicamente o “antes e depois da operação. Este período de reflexão que durar vários meses ou mesmo anos.

A relevância da procura e a possibilidade de aceitar uma mudança física é avaliada através de várias entrevistas com psicólogos e psiquiatras. O período de reflexão permite que o adolescente aja e se adapte à nova metamorfose posterior a operação, É necessário garantir que um adolescente possa ostentar as cicatrizes pós-operatórias, e a sua realização razoável porque, se não, a operação poderá estar condenada a um fracasso total, tanto a nível físico como psicológico.

Apesar de alguns adolescentes procurarem uma primeira consulta entre os 14 e 15 anos, o ideal é não fazer nada até chegarem aos 17-18 anos altura em que o corpo já amadureceu. Por exemplo, não é passível a colocação de uma prótese num jovem que ainda não tem o corpo formado. Já num caso mais concreto, quando se trata de melhorar a auto-estima na jovem com uma prótese mamária, há poucos riscos físicos.

A cirurgia plástica e o que os adolescentes querem

Mas quem são estes adolescentes que querem recorrer à cirurgia plástica? Embora seja difícil estabelecer um perfil, os médicos admitem que, em geral, os jovens querem corrigir o nariz, orelhas salientes, seios tuberosos muito grandes ou muito pequenos. Por outro lado, os profissionais alertam contra “temas quentes” como todos aqueles que querem expandir olhos idênticos aos jovens asiáticos, ou a crescente procura por jovens que querem reduzir os lábios da vagina, o que é um grande erro.

A cirurgia estética por vaidade na adolescência: sim ou não?
A cirurgia estética por vaidade na adolescência: sim ou não?

A questão que se impõe: podemos definir a cirurgia plástica em adolescentes como um fenômeno de moda? Não o é para a grande parte dos especialistas, que afirmam unanimemente que devem ouvir as queixas dos adolescentes, e analisar caso a caso. São também unânimes ao afirmar que os adolescentes dizem “estar na moda” mas é apenas uma moda passageira, porque simplesmente acaba por desaparecer. Isto porque mudar uma parte do corpo pode-se traduzir num desconforto real e esse tipo de operação vai ajudar a remover dúvidas.

O papel dos pais no sentido de cirurgia plástica em adolescentes

Antes de mais são os pais, principalmente, aqueles que devem estar vigilantes, identificar as razões para um pedido e não hesitar procurar e ouvir os pareceres médicos. Podem recorrer a uma equipa de cirurgia plástica, reconstrutiva e estética, discutir as questões de forma abrangente e multidisciplinar, com psicólogos, psiquiatras, pediatras e cirurgiões plásticos.

Concluindo, os pais podem ter a certeza de que os adolescentes não podem ser submetidos a cirurgia sem a sua permissão (e, obviamente, sem o seu apoio financeiro).  Mais, o ideal é que toda a família se junte tornando-se assim num acto familiar.

Há bem pouco tempo, os jovens queriam fazer uma tatuagem ou piercing e hoje estão a optar pela cirurgia plástica. Em Portugal o fenómeno ainda não tem um grande número de adeptos. E de resto, regra geral, o processo de reflexão é longo o suficiente para desencorajar aqueles que não têm um sofrimento físico real.

Sem comentários ainda

Comentários estão encerrados