A eterna busca da beleza ideal

A eterna busca da beleza ideal

A beleza ideal, procurada por milhões de pessoas do sexo masculino e feminino, que já matou e torturou tanta gente, esse ícone e padrão da sociedade, afinal existe ou não? E desde quando tem o ser humano esta obsessão?

Não sabemos ao certo desde quando esta obsessão pela perfeição surgiu. Na lembrança, leituras sobre espartilhos tão apertados que provocavam desmaios, faixas apertando os pés para estes não crescerem, argolas para alongar o pescoço, raparigas que comiam pouco ou nada na frente dos pretendentes para demonstrar delicadeza. Costumes bárbaros? Tanto quanto a retirada cirúrgica de costelas para moldar a cintura, ou de molares e pré-molares para afinar o rosto.

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O que a ciência pode afirmar quase com toda a certeza absoluta, é que este factor deriva de um transtorno psiquiátrico, caracterizado por uma preocupação exagerada com os “defeitos” mínimos no corpo ou, até mesmo, com o formato das mãos, pés, a altura, a cor de olhos e os cabelos.

Transtorno muitas vezes mantido em silêncio uma vez que o ser humano se sente envergonhado e receoso, de que as suas queixas sejam interpretadas como vaidade. Consequência: a cirurgia. Cirurgias que antigamente só eram feitas em pacientes a partir dos 50 anos, agora são solicitadas já a partir dos 18. Correcção do nariz, queixo, implante de silicone nos seios ou nádegas, sem falar na campeã absoluta, a lipoaspiração.

Em busca da beleza ideal...Ou não.
Em busca da beleza ideal…Ou não.

A realidade dos números é cruel. São raras as mulheres satisfeitas com a sua beleza. A maioria corre atrás do padrão estético das beldades que posam para revistas e desfilam na TV. Quem não se encaixa nele – quase 90% – sente-se excluída e humilhada e tende a aceitar qualquer sacrifício em nome da “beleza ideal”. Diante desse quadro, cabe perguntar: como as mulheres chegaram a esse ponto, depois de tantas conquistas importantes no último século?  Por que é tão difícil aceitar a diversidade da beleza?

Atentas às armadilhas consumistas, as mulheres serão cada vez mais escravizadas pela cobrança estética e menos dedicadas às questões realmente relevantes à sociedade, quando deveria ser precisamente o oposto.

A busca de beleza ideal  deixa marcas, por vezes fatais, pelo caminho. A anorexia, uma vez que pessoas belas são magras. Bulimia, que pode ocorrer junto com a anorexia, e acontece em todas as idades. Vigorexia, que é a prática exagerada por exercícios físicos, ocorre mais em homens de qualquer idade. Dietas milagrosas, que terminam por conduzir o organismo à subnutrição são comuns em todas as idades e classes sociais.

Dietas milagrosas não existem.
Dietas milagrosas não existem.

A beleza ideal não existe. É como a moda. Senão, vejamos: este ideal nem ao menos pode ser alcançado, já que pode mudar a qualquer momento, com a mesma velocidade que mudam as cores da moda de cada estação. Não há muito tempo em que a moda era ter seios mínimos; hoje a moda quer seios grandes, quanto maiores, melhor. Marilyn Monroe e Sofia Loren, hoje não fariam sucesso. Nem Twwigy. E o que dizer dos rostos de Barbie, todos parecidos? Mesmo com os procedimentos menos invasivos, as chamadas caras de boneca são indisfarçáveis, todas parecidas, nunca se sabe se estão tristes ou alegres. E já foram piores.

Exercício: uma maneira de manter a auto-estima e a elegância.
Exercício: uma maneira de manter a auto-estima e a elegância.

É óbvio, no entanto, que devemos ter cuidado com o nosso corpo, fazer exercício físico regular, ter cuidado com a alimentação, usar (mas não abusar) de cremes de beleza, e até usar uma maquilhagem discreta. Mas o problema, é que esta procura incessante se encontra na auto-estima,

Cuidado, porque o problema não está nem no creme nem na cirurgia plástica, mas sim em quem faz da beleza física a meta de vida, o fim em si da vida, que passa tanto tempo em busca desta beleza que nem tem tempo de ver a vida a passar.

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