O Instagram: veni, vidi, vici

O Instagram: veni, vidi, vici

O Instagram não só chegou, viu e venceu,  como também revolucionou completamente o mundo da moda como o conhecemos.

Em 2009, a marca italiana Dolce & Gabbana invadiu os céus da moda com uma acção irreverente: convidou a sentar-se na fila da frente do seu desfile os bloggers Scott Schuman, Garance Doré, Bryan Boy e Tommy Ton.

Os “papas” da indústria colocaram as mãos na cabeça ao ver como as filas da frente começavam a ser ocupadas por estas figuras nascidas do calor da internet. Arrancou assim uma revolução que iria acelerar o seu ritmo com a entrada no tabuleiro de jogo, em 2010: o Instagram.

A app, à qual de imediato deram o salto as bloggers de moda, atraídas pela sua moldura quadrada, os seus filtros favorecedores, a sua rapidez e os seus “likes” simples, é hoje muito mais do que “outra” rede social. É um lugar perfeito para as empresas mostrarem as suas novidades através destas figuras, as instagrammers, que geram uma mistura de empatia e admiração nos seus seguidores.

De ti para ti
De ti para ti

É também um canal muito directo que se coloca na palma da mão dos millennials (e nos rostos e corpos daqueles que agora são seus ídolos) um catálogo infinito de produtos e serviços.

Para o seu sucesso também contribuíram os avanços no que à fotografia smartphone se refere. Longe as camaras com resoluções ínfimas que nos obrigavam a transportar uma reflex ou a compacta se queríamos uma boa fotografia. Modelos como o LG G6 podem capturar imagens de alta qualidade e resolução, duas características fundamentais para publicar no Instagram.

Mas como chegamos aqui? Além da evolução das camaras smartphones, para entender esse fenómeno, temos que olhar para uma figura-chave: a italiana Chiara Ferragni. Esta menina, que abriu o seu blog em 2009 com a ajuda do seu então namorado, Riccardo Pozzoli, encarna o paradigma de sucesso nas redes sociais.

Tem a sua própria coleção de sapatos, apareceu na lista Forbes dos 30 mais influentes com menos de 30 anos, já protagonizou mais de 50 capas de revistas e o seu caso estuda-se nas aulas de negócio em Harvard. E tudo graças, em boa parte, às suas fotos (mais de 16.000) que compõem a sua galeria no Instagram, à que permanecem vigilantes 9,9 milhões de pessoas… E subindo.

Chiara Ferragni: um caso de sucesso
Chiara Ferragni: um caso de sucesso

Chiara foi uma das primeiras influencers que cedeu a sua imagem a uma marca. As empresas de sapatos Superga e Steve Madden conseguiram ver o seu potencial e foram dois das primeiras que colaboraram com ela, convidando-a a desenhar coleções cápsulas e, é claro, a mostra-las depois nas suas redes.

Passear na sua conta do Instagram é ver imagens de seu dia a dia intercaladas com um sem fim de looks das firmas mais prestigiosas: Louis Vuitton, Chanel, Miu Miu e Versace são nomes habitualmente rotulados nas suas publicações.

Ferragni abriu um caminho que, depois dela,  foram surgindo outras influencers  como Aimee Song (4,6 milhões de seguidores), Kristina Bazan (2,4 milhões) ou Julie Sariñana (4,2 milhões), hoje convertidas em modelos de um estilo de vida aspiracional.

Como viveu a indústria a erupção do Instagram?

Do outro lado, a indústria da moda está a aproveitar ao máximo a força desses números e da app para as suas campanhas e conectarem-se com os seus potenciais clientes. Porque o Instagram humaniza marcas: dá-lhes rosto, voz e personalidade.

Bem conhece o poder de persuasão desta ferramenta o designer Oliver Rousteing, director criativo da Balmain desde 2011. Convertido numa “fashion celebrity”, disse ao The New Yorker: “O Instagram permite-me falar directamente com a minha “Armada Balmain”. E eu faço moda para ela”.

A revolução no mundo da moda
A revolução no mundo da moda

Com mais de 4 milhões de seguidores na rede, Rousteing conseguiu que não só a sua conta pessoal seja uma referência, mas também que o perfil de Balmain tenha sido capaz de se envolver com as suas fotos de passarela, nos backstage e festas particulares, a 7 milhões de pessoas que hoje querem pertencer a Balmain Army.

Mas algumas marcas vão mais além e fazem do Instagram a pedra angular da sua comunicação. No caso de Revolve Clothing, uma das principais lojas online multimarca, que foca a sua estratégia nesta rede. Como? Esquecendo os modelos tradicionais e apostando nas instagrammers.

Leva-as de viagem, em grupo, a lugares exóticos, organiza-lhes festas em festivais de música e cria-lhes fins de semana nos Hamptons para que os passem com o cocktail numa mão e o telemóvel na outra.

E tudo isso, elas,  vestidas de Revolve, nos contam nas suas contas de IG, enquanto  nós, que o vemos através do nosso telemóvel, suspiramos por um desses lindíssimos vestidos.

A aliança entre a moda e o Instagram não é um romance temporário, mas um casamento já consolidado que, hoje, está no seu momento mais doce. Dada vez são mais as firmas que apostam nesta rede e pelas estratégias das suas influencers e, por sua vez, aumenta exponencialmente o número de instagrammers prescritoras de tendências.

E nesse fenómeno todo, é indiscutível o peso da fotografia.

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