O outro lado da moda

O outro lado da moda

OPINIÃO – A indústria da moda rápida, ou moda ” low-cost”, é sem dúvida a moda mais vista nas ruas. Todos usam marcas que são muito económicas, mas em determinadas ocasiões surpreendem pela negativa uma vez que as peças são fabricadas em países onde a mão de obra é paga a um custo vergonhosamente baixo. Entretanto, também parece que algumas empresas têxteis escondem algo que os seus clientes não sabem (até agora) e que me proponho revelar.

Parece que todas as campanhas “verdes” da indústria da moda tentam distrair das outras verdades desagradáveis acerca do que se está a passar por detrás das cadeias de produção.

O outro lado da moda

A indústria da moda “low-cost” esforça-se para que todos os compradores acreditem que algumas das suas peças se produzem com materiais sustentáveis, gastando enormes quantias de dinheiro em campanhas publicitárias para mostrar os efeitos verdes, e colocar em marcha novas linhas “orgânicas” ou “naturais” de roupa. Isto, no entanto, é uma afirmação impossível porque o consumismo e a taxa de produção necessária para a moda “low-cost” ser viável é demasiadamente grande e intrinsecamente insustentável.

Porém, a indústria da moda tem muitas razões para se esconder atrás das suas campanhas publicitárias e orientar o foco dos consumidores para os esforços verdes, sejam inúteis ou não. Há outras coisas desagradáveis sucedendo por detrás e as ditas campanhas servem como distração.

Moda Low Cost: a que preço?
Moda Low Cost: a que preço?

“The Huffington Post” publicou recentemente uma lista das “5 verdades da indústria da moda que não vêm a público”, as quais são profundamente inquietantes (e surpreendentes). Verdades que se descobriram sobre os métodos de produção por detrás dessa “roupa na moda” que brilham em variadas lojas sobejamente conhecidas.

Vou divulgar 3 das 5 verdades que mais impacto me causaram:

1 – A roupa “low-cost” contém produtos químicos incluindo chumbo.

Um número de retalhistas assinou acordos para reduzir as quantidades de metais pesados nas suas roupas, mas esses acordos não foram cumpridos. Muitas marcas continuam não só a vender carteiras contaminadas com chumbo, mas também sapatos e cintos que estão bem acima do limite legal.

Devo acrescentar que o Greenpeace fez um excelente trabalho nesta área, lançando uma campanha chamada “Little Monsters”, uma frase que descreve os resíduos químicos vis que se agarram às roupas novas por muito tempo depois de deixarem as fábricas. O efeito que estes produtos químicos podem ter sobre os usuários, particularmente nas crianças, é grave.

2 – Mão de obra infantil

Um grande número de peças produzidas no estrangeiro são feitas fora das fábricas, nos lares das pessoas, onde os trabalhadores domésticos vivem em barracos de uma sala com as suas famílias lutando para fazer o maior número de peças possível. Muitas vezes as crianças ajudam os pais a fazerem os complementos porque os seus pequenos dedos são ágeis, mas também porque quantas mais peças terminarem, mais dinheiro recebem.

Ao que parece, as máquinas que podem (e deveriam) fazer este tipo de trabalho são muito caras e devem ser adquiridas pelas fábricas de roupas, o que é improvável, se a mão de obra barata estiver disponível.

3 – A indústria da moda quer que sintam as “tendências” de imediato

Com os estilistas criando novos estilos e as lojas literalmente a inundar-nos com novos produtos com base diária ou semanal, é impossível manter o ritmo. Todos os compradores já sentiram alguma vez que ele ou ela compram uma peça de estilo intemporal, uma vez que a moda muda demasiado rápido.

O modelo de negócio da moda “low-cost” é baseado na venda de grandes volumes de produtos que são especialmente baratos, o que significa que as lojas têm que vender muito para ganhar dinheiro, pelo que farão tudo (ou quase) para manter um nível de compras adequado à sua sustentabilidade.

Perpetuar uma constante sensação de insatisfação com o nível de tendências é um modelo que provou funcionar.

Agora que já vimos alguns dos segredos que escondem as firmas de moda “low-cost”, deixo a cada um a liberdade de comprar ou não os artigos nestas lojas. Eu… Pessoalmente prefiro fazê-lo em lojas de roupa em segunda mão, ou em marcas que tenho a certeza que realmente cumprem com o mercado e com as leis.

O outro lado da moda Jorge Salgado

Imagens: divulgação O outro lado da moda . .
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