A modelo que um dia se cansou de ser magra

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VIDA REAL – Fotos que retratam “transformações” (imagens lado a lado de antes e depois, geralmente tiradas pelas pessoas após uma grande perda de peso), são a mais recente sensação da internet, mas a abordagem não convencional dessa tendência por uma modelo, em particular, é realmente inspiradora.

A modelo Charli Howard (considerada plus size pelos padrões da indústria da moda) divulgou uma foto de antes e depois no seu Instagram, com uma das imagens mostrando o seu peso actual, após “comer mais do que o humanamente necessário” e outra, anterior a essa, mostrando uma época em que ela pesava menos e era “uma rapariga  infeliz… cuja gengiva estava sempre a sangrar, o cabelo sempre a cair e a menstruação sempre a falhar”.

Charli explica que prefere a sua forma física actual: “Eu gosto do quantoa  minha aparência é mais feminina hoje. Gosto de comoos meus seios e coxas estão a ficar maiores”. Para manter o seu peso anterior, ela sentia-se compelida a exercitar-se acima do recomendado e a restringir a ingestão de alimentos. A modelo também falou sobre o quanto lhe parecia fácil retroceder à sua antiga mentalidade após a torrente de comentários negativos que recebeu recentemente na internet. “Comecei a chorar no aeroporto de Austin, o que foi um pouco embaraçoso, mas o meu estado era um reflexo de como eu me sentia por dentro”, comentou Charli. Após uma pessoa desconhecida parar para a consolar, Charli percebeu que o próprio valor não devia ser medido pelos comentários que as pessoas fazem na internet. “Levei anos para conseguir isso, mas hoje eu gosto da minha forma física. Finalmente estou saudável. Isso não pode ser invalidado pela visão que outra pessoa tem de mim. Nem mesmo pela forma que essas pessoas se vêm a si mesmas!”.

Let me tell you a little tale regarding the selfies pictured here. In the words of Nicki Minaj, I was “feelin’ myself” in the photo on the right, despite being in Texas and having eaten more food than is humanly necessary. But hey, it was a holiday, and I was enjoying myself. Life isn’t about restricting. ✖️ It’s taken me a longggg time, but I like how my shape is developing. ? I like how womanly I’m starting to look. I like how my boobs and thighs are getting bigger, which I never thought I’d say. ?? I don’t want to look like that miserable girl on the left, whose gums were always bleeding, hair was falling out, periods didn’t come etc. ☹️ So anyway, I posted that “feelin’ myself” photo & carried on with my day. A couple of days later, I was sent an article that had been written about me with that selfie included. The article itself was very nice, as is the girl who wrote it (she frequently writes about body positivity)… but then I made the mistake of viewing the comments. ??? In a nutshell, I was described as “fat”, “ugly”, “arrogant” and “not model material”. One person said I should go and work in porn because that’s all I was good for. ? I just began sobbing at Austin Airport, which was a bit embarrassing, but it was a reflection of how I felt inside. MORTIFIED. Ashamed. FAT. Suddenly, all the old thoughts & feelings I felt in the left photo came rushing back, like how I should stop eating for the rest of the day, or start over exercising to compensate. ? But then a random lady came over to me and gave me a hug out of the blue. Like those dickheads on the internet, she was a total stranger, but she decided to show me kindness, despite not knowing me or why I was crying. ❤️ I suddenly realised that my worth wasn’t representative of some mean trolls on the internet. It’s taken my years, but I LIKE MY BODY & MY SHAPE. I’m finally healthy ? My body isn’t validated by anyone else’s views of me. And neither is yours! ✌? Be kind to other girls online. You never know how your words may affect someone. ? #bodypositive #curves #iamallwoman

Uma publicação partilhada por Charli Howard (@charlihoward) a

(A tradução) – “Deixem-me contar uma pequena história sobre essas selfies. Nas palavras de Nicki Minaj, eu estava “me sentindo eu mesma” na foto da direita, apesar de estar no Texas e ter comido mais do que é humanamente necessário. Mas era feriado e eu estava me divertindo. A vida não tem a ver com restrições. Levou muito, muito tempo para eu conseguir isso, mas hoje eu gosto da forma que meu corpo está tomando. Eu gosto do quanto minha aparência está se tornando mais feminina. Gosto de como meus seios e coxas estão ficando maiores, apesar de nunca ter acreditado que um dia diria isso. Não quero a aparência daquela garota infeliz à esquerda, cuja gengiva sangrava o tempo todo, o cabelo não parava de cair e as menstruações viviam falhando. Enfim, eu postei aquela foto minha, me sentindo “eu mesma” e segui com meu dia. Alguns dias mais tarde, soube que um artigo havia sido escrito sobre mim e aquela selfie foi colocada nele. O artigo em si estava muito bom (a garota que o escreveu fala bastante sobre a necessidade de se estar confortável com o próprio corpo). O meu erro foi ler os comentários. Em poucas palavras, eu fui descrita como “gorda”, “feia”, “arrogante” e “inadequada como modelo”. Uma pessoa chegou a dizer que eu devia trabalhar com pornografia, que dificilmente eu seria boa fazendo alguma outra coisa. Comecei a chorar no aeroporto de Austin, o que foi um pouco embaraçoso, mas meu estado era um reflexo de como eu me sentia por dentro. Mortificada. Envergonhada. Gorda. De repente, todos os sentimentos e pensamentos que eu tinha quando era a garota da esquerda voltaram. Pensei em não comer mais nada durante o resto do dia e começar a me exercitar em excesso novamente. Mas foi aí que uma mulher desconhecida se aproximou do nada e me deu um abraço. ️ Para aquela mulher, assim como para aqueles idiotas na internet, eu era uma total estranha, mas ela decidiu me oferecer sua bondade, sem saber sequer por que eu estava chorando. De repente, percebi que meu valor não podia ser medido por comentários da internet. Levei anos para conseguir isso, mas hoje eu gosto da minha forma física. Finalmente estou saudável. Isso não pode ser invalidado pela visão que outra pessoa tem de mim ou de si mesma! Seja gentil com outras garotas online. Nunca se sabe como as palavras podem afetar alguém. ????”

O post de Charli chamou a atenção porque as fotografias do antes e depois costumam retratar perda de peso, não ganho. Além disso, ela é muito franca ao falar sobre a sua saúde física e mental no momento em que o seu corpo estaria supostamente melhor. Mais de 4.200 pessoas fizeram “like” no post de Charli e comentaram que ela parece mais feliz e saudável com o seu peso actual.

Plus Size também é significado de beleza.
Plus Size também é significado de beleza.

“Recebo muitos comentários de mulheres que se sentem grandemente afectadas pela imagem feminina veiculada pelos média”, disse Charli ao Yahoo Beauty. “Muitas dizem que sou corajosa por divulgar estas fotos, mas porquê tirar uma foto de calcinhas e soutien seria um acto de coragem?”

Howard continua: “Hoje em dia, todas as pessoas têm uma aplicação de edição de fotos no telemóvel. Apesar disso, é importante mostrar os defeitos (celulite, espinhas…), pois estamos cada vez mais obcecadas pela perfeição”.

Em nome da perfeição o corpo torna-se imperfeito
Em nome da perfeição o corpo torna-se imperfeito

A modelo britânica sempre foi honesta sobre a sua jornada em direcção a auto aceitação. Num outro post no Instagram, ela descreveu como “se obrigou a passar fome” durante uma década, chegando “trémula” às sessões de fotografias por falta de energia e implorando que os fotógrafos editassem as suas imagens no photoshop.

Em 2015, ela publicou no Facebook uma carta aberta endereçada à sua antiga agência, censurando a empresa por supostamente dizer que ela estava “gorda demais” e “fora de forma” para trabalhar como modelo. Ela escreveu que “não permitiria mais que a mesma lhe ditasse o certo ou errado na sua aparência”, afirmando que não precisava de mudar para ser bonita, na esperança de conseguir trabalhar com a agência.

A moda: antes e depois mas só para emagrecer
A moda: antes e depois mas só para emagrecer

“Caso vocês não tenham percebido, eu sou uma mulher. Sou um ser humano. Não posso milagrosamente raspar a gordura dos ossos dos quadris só para entrar numa peça de roupa que atende aos padrões da agência. Tenho lutado contra a natureza por um longo tempo porque vocês me consideravam muito “forte”, mas recentemente comecei a amar o meu corpo.”

“Sendo assim, vamos encarar os factos: nem quando eu pesava menos de 50 quilos isso era o suficiente para vocês. Quando eu “malhava” 5 horas por semana na academia, vocês também não me achavam adequada. Nada que eu fizesse mudaria isso”.

Após deixar a agência, Charli fundou o All Woman Project, uma fundação para jovens que têm dificuldades em aceitar o próprio corpo. Hoje, ela coloca em cheque o termo plus-size: “Se uma jovem olha para mim e pensa que sou ‘gordinha’ demais, ela deve refletir sobre o que isso diz sobre ela mesma”.

Charli faz parte de um grupo que conta com várias modelos plus-size que apregoam que as pessoas devem amar e aceitar os seus corpos. Ashley Graham compartilhou fotografias que mostravam a sua celulite bem perto no Instagram. Na legenda, escreveu: “Amo a minha pele. Não me envergonho de ter caroços, inchaços ou celulite… tu  também não te devias envergonhar”. Recentemente, Nadia Aboulhosn escreveu um artigo para a revista New York chamado “Por que me orgulho de vestir 42”.

Autora: Elise Solé
Fonte: Yahoo Beauty
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