Os shows digitais que (agora) revolucionam a moda

Os shows digitais que (agora) revolucionam a moda

Qualquer restrição pode ser um desafio como as fabulosas colecções virtuais europeias e mundiais

Não há mais celebridades na primeira fila ou aglomeração de paparazzi. Não há mais atrito de vestidos no ir e vir das modelos na passarela. Não há mais bastidores. As semanas de moda como eram conhecidas estão em pausa. Mas o que nasceu no calor desta quarentena são explosões de criatividade, que mostram que uma boa ideia sabe brilhar em qualquer frente.

Entre Milão e Paris.

Uma das primeiras a ser incentivadas por esta nova realidade foi a Milan Fashion Week. A proposta foi um híbrido entre alguns desfiles presenciais com cautela, como Etro ou Dolce & Gabbana, e o uso exclusivo de ferramentas virtuais. Prada terá sido uma das melhores adaptadas, porque mostrou as diferentes linhas da sua colecção com artistas como fotógrafos e directores de cinema. Além disso, conseguiram com que as peças se vissem perfeitamente.

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Outra aposta aplaudida foi a de Ermenegildo Zegna, que criou um espectáculo “phygital”, que teve lugar em Oasi Zegna, na Itália, para ser posteriormente reproduzido mundialmente em formato digital. Num ambiente selvagem, elogiou a exploração da marca entre a natureza e a máquina, tendo o homem como veículo de condução. Por sua vez, a Gucci organizou uma apresentação muito original para sua colecção de cruzeiros: quem modela o lookbook são as mesmas pessoas que trabalham para a marca, como designers e assistentes. Isso aproxima muito as pessoas, que é o que a moda precisa começar a fazer agora. Poder reflectir sobre os compradores e não tanto sobre uma modelo.

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A Paris Fashion Week também se voltou para o plano digital nos primeiros dias de Julho. Lá, Valentino reinterpretou sua colecção de 68 e apostou no branco para falar sobre renascimento e novos começos. Fez isso através de uma performance ao vivo onde os seus vestidos esculturais de neve ganharam mais relevância graças a modelos em cima de trapézios e um impressionante show de luzes. Enquanto isso, Dior juntou-se aos dois extremos, montando um show ao vivo a partir da Piazza del Duomo em Lecce, na Apúlia, entre luzes coloridas, dança e música para apresentar a sua linha de cruzeiro; mas, ao mesmo tempo, criando uma colecção de 36 looks de alta costura em miniatura que percorreram o planeta para serem admirados por clientes que não puderam participar do desfile.

Os shows digitais que (agora) revolucionam a moda

“Muitas marcas assumiram o desafio ao usar meios imateriais para comunicar uma arte que se origina da materialidade do corpo”, destaca Matías Tortello, jornalista de moda. E assim, os designers escolheram concentrar-se na transmissão de conceitos que nem sempre são visíveis, como identidade, valores e processos por trás da montagem de cada colecção.

Nesse sentido, para Tortello, um dos mais bem sucedidos foi Loewe, cujo director criativo organizou um festival online com palestras e encenações dedicadas à arte e ao artesanato por trás do trabalho. Ele também enviou aos seus convidados um livro dobrável com fotos, modelos 3D e amostras de materiais.Fora dessa estrutura, também houveram marcas que criaram o seu próprio precedente. Foi o que Louis Vuitton fez com sua colecção de cruzeiros “Game On”, com um lookbook de 18 fotos tiradas no estúdio de Nicolas Ghesquière, director artístico e criativo.

Ao mesmo tempo, lançaram uma série de curtas-metragens narrando a jornada da colecção masculina do atelier da marca nos arredores de Paris para Xangai, onde o desfile real terá lugar no dia 6 de Agosto. Balmain, que usou a pandemia do alto de um navio, também partiu. “Desta vez também foi fundamental para aumentar a consciencialização contra o racismo, em busca de um mundo mais moderno e inclusivo”, descreve Tortello, que acredita que isso se reflectiu acima de tudo nesta apresentação, na qual o director criativo Olivier Rousteing apresentou modelos de diversas etnias e idades navegando no rio Sena numa performance.

Panorama nacional

Em Portugal, a agenda é incerta. Mesmo sem saber quando a quarentena terminará, o sector terá problemas para organizar o seu esquema. As marcas que sobrevivem apostam na lealdade dos seus clientes através de experiências tecnológicas e tratamento personalizado.

Questionados sobre o futuro da indústria a partir deste salto criativo, os especialistas concordam que estamos diante de um complemento valioso. Os desfiles físicos com convidados vão voltar, mas o digital será um novo caminho de vital importância.

Imagens: divulgação Os shows digitais que (agora) revolucionam a moda . .
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