Portugal Fashion na ternura dos 40: e tudo começou…

Portugal Fashion na ternura dos 40: e tudo começou...

O Portugal Fashion atingiu as 40 edições, número que habitualmente associamos a maturidade e consolidação. Depois do 20.º aniversário do evento, em 2015, esta é uma efeméride que suscita o avivar de memórias e o regresso ao passado para melhor perspetivar o futuro.

A 27, 28 e 29 de julho de 1995, sob a designação «Portugal Fashion 95 – Jovens à Moda do Porto», nascia um evento que não se esgotava nos habituais desfiles em passerelle. Além do show de moda tout court, o programa inaugural propunha uma conferência, um desfile de vestuário infantil, momentos musicais e uma homenagem ao criador internacional Franco Moschino. A realização do evento só foi possível graças à visão e capacidade empreendedora de dirigentes da ANJE como Paulo Barros Vale, Manuel Serrão e Paulo Nunes de Almeida.

Portugal Fashion na ternura dos 40: e tudo começou...
Manuel Serrão

 

Paulo Barros Vale
Paulo Barros Vale

 

paulonunesalmeida
Paulo Nunes de Almeida.

Entre os participantes dessa 1.ª edição, contavam-se nomes hoje tão consensuais como os de José António Tenente, Nuno Gama, Maria Gambina, Luís Buchinho, Júlio Torcato ou José Carlos. E para abrilhantar as coleções destes criadores, top models internacionais como Claudia Schiffer, Elle Macpherson, Carla Bruni e Helena Christiansen desfilaram pela passerelle da recém-inaugurada sede nacional da ANJE, no Porto.

Portugal Fashion na ternura dos 40: e tudo começou...
Claudia Schiffer

 

Portugal Fashion na ternura dos 40: e tudo começou...
Elle Macpherson

No ano seguinte, o Portugal Fashion procurou consolidar a sua filosofia. Houve de novo a preocupação de suscitar a atenção dos media internacionais, fazendo uso do mediatismo e carisma de top models. Mas, desafortunadamente, o evento escolheu o Coliseu do Porto como palco dos desfiles. Logo na primeira noite, a 27 de setembro de 1996, deflagra um incêndio na sala de espetáculos portuense. A segunda parte do evento foi, então, adiada para 26 de outubro, no Palácio de Cristal.

A preocupação de dar a conhecer as propostas do setor têxtil e de vestuário acentuou-se na 3.ª edição do certame, com a introdução de um desfile dedicado exclusivamente à indústria. Na 5.ª edição do Portugal Fashion, em 1999, manteve-se como centro nevrálgico o Mercado Ferreira Borges, mas o universo de participantes no evento aumentou bastante, tendo sido dada a oportunidade a jovens criadores de apresentarem as suas propostas. Pela primeira vez realizou-se um desfile de calçado, o qual teve lugar na Alfândega do Porto.

Mercado Ferreira Borges
Mercado Ferreira Borges

No ano 2000, e com a intenção de se ajustar aos calendários dos grandes desfiles internacionais, o Portugal Fashion repartiu-se por duas edições anuais: uma dedicada às coleções outono/inverno e outra de apresentação das propostas para a estação quente. Por outro lado, verificou-se a descentralização do evento. A primeira edição de 2000 não teve lugar no Porto, mas sim em Portimão, durante o mês de abril. Nas edições seguintes realizaram-se desfiles no Funchal e na Figueira da Foz.

Em 2004, o evento tem, pela primeira vez, lugar no CACE Cultural do Porto, um espaço amplo e esteticamente estimulante que permitia a aposta em desfiles individuais. Já a 16ª edição do Portugal Fashion, em 2005, marca o arranque de um novo ciclo. O evento reforça a relação entre indústria e criadores, apostando em marcas em que o design é claramente entendido como um fator de competitividade e em designers que assumem no seu trabalho uma perspetiva comercial. Há também o entendimento de que as coleções ganham outro élan quando apresentadas individualmente, na medida em que é permitido aos criadores maximizar toda a espetacularidade inerente aos shows de moda.

Ao contrário do que acontecia desde 1995, e apesar da itinerância de alguns desfiles ao longo da história do evento, o 21.º Portugal Fashion, em 2007, não se realizou na cidade do Porto, mas sim na margem esquerda do rio Douro. Aliás, o município de Vila Nova de Gaia acolheu o Portugal Fashion durante as três edições seguintes, de acordo com um protocolo assinado entre as entidades promotoras do evento – ANJE e ATP – e a autarquia local.

O 25.º Portugal Fashion, em 2009, marca o regresso do evento ao Porto e ao edifício da Alfândega, que já havia acolhido as edições primavera/verão de 2001 e 2002. De resto, o monumental edifício requalificado por Eduardo Souto de Moura tornar-se-ia o “quartel-general” do evento, passando a acolher todas as suas edições realizadas no Porto.

Na 27.ª edição, em 2010, o Portugal Fashion celebrou o seu 15.º aniversário com o maior programa de desfiles de sempre e um conjunto de intervenções artísticas, exposições de arte contemporânea, concertos, DJ sets e momentos de animação. Esta edição ficou ainda marcada pelo arranque do Bloom, plataforma dedicada à descoberta e promoção de novos criadores.

O Portugal Fashion conhece nova transformação conceptual na 30.ª edição, em 2012, com o primeiro dia de desfiles a ter lugar em Lisboa (MUDE / Sociedade de Geografia de Lisboa) e os restantes três dias na Alfândega do Porto, como habitualmente. O evento passou, então, a repartir o seu programa de desfiles pelas duas cidades.

Alfândega do Porto
Alfândega do Porto

Este modelo organizativo com desfiles inaugurais em Lisboa e o corpo principal do line up na Alfândega do Porto tem-se mantido constante. Além disso, os desfiles passaram a ser organizados em edifícios esteticamente marcantes, para que a passerelle dialogue com o cenário envolvente. Esta encenação dos desfiles é, de facto, uma marca distintiva do Portugal Fashion e uma das suas estratégias para a valorização das criações portuguesas, nacional e internacionalmente.

Com esta descentralização do programa de desfiles, o Portugal Fashion assumiu o modelo organizativo dos grandes eventos de moda internacionais, como a Paris Fashion Week, em que a apropriação de edifícios glamorosos (e muitas vezes desconhecidos) reforça a capacidade promocional, a linguagem estética e a mundividência autoral de criadores e marcas.

Em 2016, na 39.ª edição, o projeto Bloom passou a ter um calendário próprio e um local exclusivo para os desfiles, ganhando assim autonomia face à passerelle principal.

Internacionalização do evento

A vertente internacional do Portugal Fashion é uma das grandes linhas de ação do projeto e, sem dúvida, uma das mais importantes, tendo em conta que, devido à exiguidade do nosso mercado interno, marcas e criadores só podem crescer expandindo as suas atividades para o exterior e comercializando aí as suas propostas.

Paris Fashion Week
Paris Fashion Week

As ações do Portugal Fashion no exterior têm sido, na generalidade, bem-sucedidas. São produzidos, desde 1999, desfiles dos principais criadores e marcas portugueses (Felipe Oliveira Batista, Fátima Lopes, Luís Buchinho, Ana Salazar, Alves/Gonçalves, Miguel Vieira, Storytailors, entre tantos outros) em grandes eventos de moda internacionais, como a Paris Fashion Week (prêt-a-porter e alta-costura), a 7th on Sixth Fashion Week (Nova Iorque), a São Paulo Fashion Week, a London Fashion Week, a Barcelona Fashion Week, a SIMM (Salón Internacional de la Moda de Madrid), a Istambul Fashion Week, a Vienna Fashion Week ou a Mercedes-Benz Fashion Week Madrid, por exemplo.

Esses desfiles são complementados com showrooms, apresentações à imprensa, contactos com agentes de compras, encontros com possíveis financiadores e angariação de apoios junto de entidades públicas promotoras do investimento português no exterior. Ou seja, há todo um programa de promoção externa que não se esgota nos desfiles. Pelo contrário, assume diferentes componentes e linhas de ação.

Nos últimos anos, o Portugal Fashion tem desenvolvido um trabalho de continuidade com criadores e marcas que apresentam, à partida, não apenas coleções de qualidade, mas também capacidade de produção, distribuição e comercialização para o mercado externo. Exemplo concreto dessa lógica integrada e ininterrupta de funcionamento é o criador Luís Buchinho, que já exporta cerca de metade das coleções.

Luís Buchinho
Luís Buchinho

Agora que a moda portuguesa subiu à primeira divisão mundial, não faria sentido interromper a estratégia de internacionalização até aqui seguida e, assim, desbaratar o capital de notoriedade já alcançado. O futuro tem de passar por uma aposta cada vez maior nas grandes passerelles internacionais, onde os nossos criadores desfilam lado a lado com nomes como Armani, Versace, Jean-Paul Gaultier ou Dolce & Gabanna. É importante continuar a mostrar ao mundo que Portugal faz bem, com qualidade e design.

Também jovens criadores (Carla Pontes, Daniela Barros, Estelita Mendonça, Hugo Costa, Joana Ferreira, João Melo Costa, entre outros) participaram em desfiles e showrooms internacionais com o apoio do Portugal Fashion, marcando assim presença em importantes certames de moda de Londres, Viena, Paris, Copenhaga, Berlim e Madrid.

Em 2015, o Portugal Fashion integrou, pela primeira vez, a Milano Moda Donna Fashion Week, com a produção dos desfiles de Carlos Gil e Miguel Vieira no espaço The Mall. Depois desta passagem pela capital da Lombardia, o Portugal Fashion pôde orgulhar-se de já ter participado nas quatro maiores semanas de moda do mundo: Nova Iorque, Londres, Paris e Milão.

Carlos Gil
Carlos Gil

O projeto Next Step, um novo roteiro promocional do negócio da moda portuguesa organizado pela ANJE, teve início em 2015. Durante um ano, até ao final de 2016, o braço comercial do Portugal Fashion desenvolveu 20 ações de promoção internacionais e dois workshops, que abrangeram 16 designers e seis marcas nacionais, com um balanço final francamente positivo. Já neste primeiro trimestre de 2017, o Next Step regressou com mais preponderância e influência na internacionalização de negócios da fileira moda portuguesa. Esteve presente em três ações distintas em Nova Iorque, duas em Paris, uma em Londres e outra em Milão, totalizando sete ações externas.

De resto, em 2016 e 2017, o evento passou a integrar no seu calendário anual de apresentações de coleções as quatro principais capitais da moda, verificando-se uma grande recetividade nestes circuitos internacionais quer às criações portuguesas, quer à qualidade técnica do staff do Portugal Fashion.

Fonte: Portugal Fashion
Imagens: Divulgação
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