Praticamos menos sexo que a geração dos nossos pais?

Praticamos menos sexo que a geração dos nossos pais?

OPINIÃO – Mais liberdade, menos tabus, mais pornografia, mas … menos sexo. Um estudo mostra que a geração millenial tem menos sexo do que as gerações anteriores. Bem, vou dizê-lo de outra forma curiosa: é possível que os teus pais o fizessem mais do que tu.

Partimos do principio que o sexo não é uma competição, algo que muitas vezes nos esquecemos. Parece que temos de fazer mais e melhor do que outros, parece que temos de fazer mais e melhor do que nós mesmos… ontem. Não, o prazer não se correlaciona com vezes, mas… Mas as vezes é do que eu vou falar hoje.

Praticamos menos sexo que a geração dos nossos pais?

Na década de 80 e 90 faziam-no mais

Um conhecido estudo da San Diego State University, assinala que a taxa de iterações sexuais dos millennials (jovens nascidos nos anos 80 e 90) é menor do que as gerações anteriores na mesma idade.

Este estudo, realizado com população dos EUA, afirma que os jovens entre os 20 e 24 anos parecem ter menos parceiros sexuais do que aqueles que nasceram no final dos anos 60.

De acordo com Sherman Ryne, um dos autores, os dados da pesquisa são um pouco chocantes, porque de alguma forma contradizem a ideia de que todos temos que as novas gerações, e a geração millenial em particular, são mais livres do que as anteriores e, portanto, seria de esperar que fossem mais sexualmente activos.

Parece que fazem menos… Será que vai acabar o sexo?

David Spiegelhalter, professor do Laboratório de Estatística da Universidade de Cambridge assim o afirma num artigo publicado no The Daily Mail: se continuarmos assim, o sexo pode desaparecer até 2040.

Que ninguém entre em pânico, este homem não tem uma bola de cristal nem é contactado por seres superiores que lhes contaram o futuro. A sua previsão, que é um pouco de exagero para “pior” leva os dados das pesquisas internacionais sobre os hábitos sexuais ao extremo.

É verdade que a tendência geral é fazer cada vez menos. Por exemplo, no caso dos britânicos, uma macro revisão realizada mostra que a media dos actos sexuais em média por mês (na população com idades entre os 19 a 74 anos) é de três vezes. Ora nos anos 90 esse numero era cinco, quatro em 2000. Em 2020 será apenas dois por mês? Vamos ver o que as pesquisas e os britânicos dizem então. A boa notícia é que sim, eles fazem menos, mas fazem-no durante mais tempo… E não, não me refiro à duração do acto, sim a que são sexualmente activos até a uma idade mais avançada do que antigamente. Algo é algo.

Praticamos menos sexo que a geração dos nossos pais?

E com isso o que acontece?

De acordo com (alguns) especialistas, podem existir vários factores subjacentes a esta redução da taxa (e tempo) sexual (alguns deles, talvez um tanto questionáveis):

  • Há mais pessoas sem parceiro estável. Este é um dos questionáveis porque também detetou uma redução nas interações sexuais em casais estáveis, embora pareça a partir dos resultados que têm mais sexo do que sem ele.
  • Os jovens vivem na casa dos pais durante mais tempo.
  • As redes sociais e plataformas audiovisuais (as séries e filmes) dominam o nosso tempo de lazer (em detrimento de outras actividades como o sexo).
  • Aumento da depressão, ansiedade, etc.
  • Maior acesso à pornografia.
  • O aumento da consciência da necessidade de sexo seguro (e, portanto, uma diminuição nas práticas de risco, que anteriormente eram muito numerosas).

Jean M. Twenge, autora do estudo, que começou este artigo indica que, embora cada vez tenhamos mais ferramentas, como aplicações que ajudam a estabelecer encontros sexuais, como o Tinder, a realidade é que estas ferramentas são armas de dois cumes: os jovens passam muito tempo online e interagem menos pessoalmente, pelo que têm menos relações.

Paulo Costa
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