Semanas de Moda: o Santo Graal dos designers de moda

Semanas de Moda: o Santo Graal dos designers de moda

Semanas de Moda: o Santo Graal dos designers de moda

As semanas de moda têm sido o Santo Graal para os designers mais importantes do mundo. É a altura de exibirem as suas novas colecções e, portanto, a pressão e a emoção que sentem pouco antes da chegada desses dias são impressionantes.

As fashion weeks, ou semanas da moda, são eventos semestrais que ocorrem nas capitais mais importantes do mundo da moda. Hoje em dia, a experiência é vivida ao máximo e, ano após ano, cada designer faz o melhor que pode para se superar e dar que falar – às vezes vão além do razoável -. Dura uma semana e nela os designers expõem as suas criações para o Outono/Inverno e Primavera/Verão.

É impressionante o número de marcas envolvidas nestes eventos; isso é um sinal de que, independentemente de alguém estar ou não muito envolvido na moda, a verdade é que o mundo da moda muda todos nós e nos leva a ir de acordo com a sua frequência de uma maneira indirecta. São dias empolgantes, onde os patrocinadores enchem os bolsos, os modelos vivem todo tipo de pressão e tu podes sentir a emoção entre cada show.

Mas…Foi sempre assim? Como começou tudo?

História da Semana da Moda – Semanas de Moda: o Santo Graal dos designers de moda

Tudo começa em Nova Iorque em 1943, onde foi celebrada a primeira semana de moda da história. A principal razão pela qual esse costume começou foi a necessidade dos americanos desviarem a atenção que a moda francesa tinha durante a Segunda Guerra Mundial. Não foi por um simples capricho, mas (devemos lembrar) o mundo estava em guerra, pelo que os grandes especialistas em moda não podiam viajar para Paris para assistir aos desfiles patrocinados pelos estilistas.

Eleanor Lambert é um nome importante durante toda esta transição, pois foi a organizadora da Semana Editorial, um evento onde os designers americanos tiveram a oportunidade de mostrar as suas colecções a todos os jornais fashionistas. Era algo diferente da maneira como é manuseado actualmente, porque naquela época os compradores não podiam comparecer aos desfiles, a única maneira de adquirir as peças era entrar em contacto directamente com o estilista, pelo que a primeira semana de moda foi algo muito íntimo. dedicado exclusivamente aos olhos profissionais.

Eleanor Lambert
América cobra importância no mundo da moda

Este evento foi um sucesso total, foi um momento importante para a moda americana, que havia sido ofuscada pelos franceses ao longo da história. Revistas de renome como a Vogue começaram a colocar a moda americana no topo, tanto que agora se lia mais sobre esta do que a francesa, a favorita. Mas essa mudança não foi necessariamente permanente, porque foi o suficiente a guerra terminar para que os fãs se mudassem novamente para Paris, Londres e Milão para os eventos de moda que estavam a ser criados.

Primeira Semana Editorial em Nova Iorque – Eleanor Lambert

No entanto, não foi um ponto negativo, porque significava que os especialistas não precisavam fazer viagens tão caras, uma vez que estas cidades estavam próximas, à excepção de Nova Iorque. Desde então, essas são as grandes capitais da moda onde se celebram essas semanas gloriosas, posicionadas das mais às menos importantes são Paris, Nova York, Milão, Londres, e Berlim.

Patrocinadores importantes somam-se à equação

Ano após ano, este evento foi cobrando maior importância, pois cada década tem os seus destaques memoráveis, dependendo do designer que mais soava na época. Por exemplo, os anos 90 marcaram um momento importante para a moda, quando, em 1993, todas as passarelas foram reunidas num só lugar pelo Council of Fashion Designers of America (CFDA): Bryant Park, mais tarde conhecida como New York Fashion Week. Novamente, os Estados Unidos estavam-se a esforçar ao máximo para mostrar que tinham algo a ver com uma indústria que era dominada principalmente por países europeus.

Entre as grandes empresas que começaram a participar desse evento encontravam-se a IMG e Olympus, onde se juntaria à equação Mercedes Benz, como já o sabemos.

O que começou como um projecto tornou-se num evento necessário e gigantesco. Já não se tratava de simplesmente moda de alta costura e muito dinheiro, era uma maneira de se expressar, era a razão de ser de muitos estilistas, e foi assim que, aos poucos, deixou de se tratar apenas de roupas e acessórios, mas diferentes tipos de  empresas conseguiram encontrar o seu lugar na semana de moda e fazer disso uma importante oportunidade de crescimento. Ao longo dos anos, tornou-se um show massivo e exclusivo, onde não apenas se fala sobre o que foi apresentado na passarela, mas também que personalidades do show business assistiram e o que essa aparição significava para os designers. Tudo isto deu lugar ao front now.

O foco começa a centrar-se nas celebridades

A moda é uma arte preciosa, mas não se vive de e, no fim de contas, o dinheiro sempre acaba por se tornar o mecanismo inicial, que não exclui os designers. Gradualmente, o principal objectivo das semanas de moda de cada estilista foi encontrar o que mais interessava às celebridades. Cada projecto seria mais importante se conseguisse chamar a atenção das pessoas mais fascinantes do momento: actores, socialites, líderes importantes dos média e, é claro, Anna Wintour, que sim, era um olho que todos valorizavam demais. Entende-se também que compradores e investidores não poderiam ser deixados para trás, pois também constituem um pilar importante no crescimento de cada marca de moda.

Rainha Elizabeth junto a Anna Wintour
A Internet e os fashion bloggers

Com a tecnologia e a Internet, também houve avanços importantes, como por exemplo inclusão de bloggers de moda, pessoas apaixonadas por moda e que possuem um público considerável nas redes sociais que obtiveram o seu próprio conhecimento sobre moda. Eles fazem-se ouvir, ou melhor, ler e, desde que existem, abriram um lugar seguro nas semanas de moda, onde todos os designers se certificam de os incluir nas listas de convidados para que possam capturar tudo e depois carregar o conteúdo para as redes sociais.

De certa forma, é uma mudança positiva, que abre as portas para novas pessoas participarem neste evento milionário e glamouroso, mas nem todos estavam contentes com essa decisão, porque para algumas pessoas do meio, está-se a perder a exclusividade que caracterizou as semanas de moda, nas quais o árduo trabalho dos estilistas não é mais comemorado nem honrado, sim criar uma festa barulhenta onde todos eram convidados, pois era improvável que todos os seguidores desses se bloggers de moda fossem os mais conhecedores e especialistas, o que causou mal estar a algumas pessoas.

Outra coisa que é fortemente criticada é que a elite, os melhores especialistas em moda que foram a principal razão de todo esse evento, foi substituída por posers, pessoas de má reputação que procuram apenas atrair a atenção e não estão interessadas principalmente nas passarelas, como as Kardashians. E voltamos ao tema de que o dinheiro faz o mundo girar, para os designers e intermediários tornou-se mais importante vender as colecções e causar um impacto mediático, do que mostrar algo realmente inovador, elegante e chique.

Todas estas mudanças fornecidas pela tecnologia causaram sentimentos contraditórios nas pessoas. Alguns são a favor de transmissões ao vivo ou que se utilizem drones para gravar as passarelas, mas há outros que se sentem mortificados porque consideram que estão a deitar fora toda a semana de moda tradicional, querendo voltar ao tempo onde os shows eram privados e onde apenas tinha acesso a elite fashionista.

Tradição vs. inovação

Mas parece que os novos tempos vão acabar por vencer a batalha. Marcas como Burberry e Tom Ford mostraram que querem olhar para o futuro, porque não há mais nada para trás. Anunciaram que querem deixar de lado as temporadas e começar a apresentar roupas femininas e masculinas ao mesmo tempo, com um ponto de venda disponível no final do desfile para que todos possam comprar o que acabaram de testemunhar, este modelo chama-se “see now, buy now” (veja agora, compre agora).

Não é necessário negar, é brilhante, trata-se de tirar proveito da euforia das pessoas que estão em êxtase ao ver as peças mais luxuosas e modernas passarem à sua frente, para que tenham prazer em adquirir ao menos algo do designer. Na nossa opinião, isso é bom, e outros estilistas falaram sobre o assunto e também são a favor, porque, convenhamos, porquê esperar 4 meses para conseguir uma roupa que está na moda hoje e que queres usar hoje?

As fashion weeks ou semanas de moda representam um momento crucial na vida dos designers, modelos e todos os tipos de empresas que trabalham neste evento. Durante esse período, os média concentram a sua atenção e colocam a lupa para ver em detalhe qual será o momento fashionista mais proeminente do ano. A sua essência mudou um pouco, mas ainda há algo que se mantêm: o amor pela moda.

Imagens: divulgação Semanas de Moda: o Santo Graal dos designers de moda .  .
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