Surge um novo tipo de violência: estética

Surge um novo tipo de violencia: estética

OPINIÃO – A Saúde é um Direito Humano. Entende-se como tal: o bem-estar físico e mental da pessoa, bem como o prolongamento e melhoria da qualidade de vida humana.

Devido à magnitude da sua importância, é apropriado analisar um tipo de violência que, embora não seja propriamente uma agressão física, tem consequências na saúde psicológica e emocional: falo de violência estética.

A violência estética é muito subtil e está imersa nos cânones da beleza, assim como nos modelos socialmente determinados. Esses estereótipos especificam as características físicas ou externas que uma pessoa deve ter para ser considerada bonita pelas pessoas comuns, em determinado lugar e tempo.

Actualmente, para grande parte da população, tanto masculina quanto feminina, o corpo humano tornou-se objecto de culto, inclusive, deixou de ser uma preocupação ligada à saúde, tornando-se uma prioridade, aliada à supervalorização que se lhe concede a aparência e a imagem.

Os factores

A publicidade, a indústria da moda, a música, entre muitas outros meios, contribuem claramente para disseminar uma preocupação excessiva com a imagem e a aparência física. Os principais receptores são mulheres, que observam outras com corpos tão perfeitos e simétricos, para os quais o tempo não passa. Dessa forma, um ideal inexistente é construído em torno da corporalidade feminina.

Por esta razão, a violência estética afecta as mulheres em maior medida, porque embora o ideal da beleza feminina seja variável, dependendo da época histórica e do lugar em que nos situamos, e vá mudando de cultura para cultura, há certas demandas que permanecem constantes e intactas.

Esse culto desproporcional ao corpo, propicia um estilo de vida superficial baseado nas imagens “ideais” onde se apresenta um certo estereótipo de mulher, com características, feições e medidas específicas, corpos perfeitamente proporcionais e esculturais, sem defeitos, com aspectos altamente atractivos e especialmente jovens. A mulher de sucesso, acaba por ter certas medidas e características específicas, entre outras características utópicas, que redefinem a aparência como exigência de reconhecimento e sucesso social.

Vítimas da sociedade

O nosso sistema patriarcal atribui grande importância à figura física feminina, impondo estereótipos de beleza como uma nova forma de violência contra as mulheres, mostrando um modelo de perfeição que as mulheres querem seguir. Na actualidade, a beleza é estabelecida como um elemento constitutivo da identidade e valorização feminina, considerado um mecanismo de controle sobre as mulheres. A naturalidade do corpo feminino é desvalorizada em todas as suas formas e nuances, mulheres que não cumprem os padrões de beleza impostos perdem o seu valor e, diante de tal ideologia, é inquestionável que se desencadeie uma permanente violência de género.

É ainda mais grave, a violência exercida pelas próprias mulheres, quando se avaliam e são avaliadas com base nos critérios impostos. Algumas passam por procedimentos excessivos, cirurgias e dietas que levam a distúrbios alimentares e até à morte. Existem aquelas que vão contra a sua própria natureza e genética, fingindo apagar a sua própria identidade e, mais ainda, a história da vida escrita nos seus corpos. Isto acontece porque sentem insegurança e insatisfação com o seu físico, pois, inconscientemente, as aparências afectam profundamente, pois consideram o corpo como o rosto perante a sociedade. Surge um novo tipo de violência: estética

Os riscos Surge um novo tipo de violência: estética Surge um novo tipo de violência: estética

Nesse sentido, devido às constantes pressões psicológicas, bem como aos comentários severos sobre a aceitabilidade do corpo feminino a que as mulheres estão sujeitas, tornam-se nos seus próprios carrascos. Chegam a correr riscos desnecessários na procura por beleza e juventude, tentando esconder o que consideram defeitos físicos, com roupas, maquilhagem, saltos, etc. Surge um novo tipo de violência: estética

Isso inegavelmente priva as mulheres de autoconfiança, dando mais valor ao que parecem e não ao que são, sempre preocupadas, pela quantidade de comida que consomem, assim como pelas medidas corporais. Essa atitude provoca um desperdício desnecessário de energia, que no espírito de atingir o corpo desejado é afectado a saúde.

Perante esta realidade, é importante não perder de vista o facto de que a saúde e o corpo implicam aceitar a própria natureza, ser condescendente connosco, cuidar da saúde física e mental em todos os momentos, mas com plena liberdade e consciência de que o valor de uma pessoa não é determinado pela sua aparência.

Jorge Salgado

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