O trono “low-cost” ou a era da indústria rápida

O trono “low-cost” ou a era da indústria rápida

O trono “low-cost” é um dos sectores mais “apetecíveis” dentro da indústria da moda. As firmas que mais lucros gerem e neste momento estão ao alcance de qualquer um são a Inditex e a H&M. A primeira arrebatou a multinacional sueca depois de numerosos anos de invencibilidade. Não só em terreno de capitalização financeira, onde são os líderes, mas também em benefícios. Zara, ocupa indiscutivelmente o primeiro lugar.

Apesar da combinação parecer contraditória, o luxo acessível é uma categoria cada vez mais comum na indústria da moda. As colaborações de estilistas de primeira linha com marcas de massa, são uma estratégia para fazer frente à crise económica europeia. Pelo menos é o que transparece pela enorme lista de peças assinadas por criadores “high fashion” através de colecções-capsula.

Um exemplo claro foi com a firma Marni para H&M. No último lançamento, e apesar do frio, as filas fora das lojas H&M eram enormes. Às 10 da manhã finalmente abriram-se as portas. Clientes ansiosos por comprar roupa empurravam-se umas às outras e apanharam tudo o que puderam. Nem os manequins escaparam. E isto tudo para conseguir uma peça desenhada pela firma Italiana para a marca Sueca.

Na nossa vizinha Espanha, e por mais incrível que possa parecer, as peças esgotaram em 5 minutos nas 261 lojas onde estavam disponíveis, segundo um comentário emitido pelo departamento de comunicação da H&M pela voz de Toni Sánchez. Apesar desta situação se contradizer com a crise económica europeia que afecta o Velho Continente desde meados dos anos 2009, o certo é que a indústria da moda não se libertou dos seus efeitos negativos. Os reflexos do sobre-endividamento europeu chegaram às pequenas lojas, grandes marcas e retalhistas, e inclusive às marcas de moda mais importantes.

Inditex
Inditex

Um dos casos mais emblemáticos foi o encerramento do departamento de alta-costura da marca francesa Christian Lacroix no ano de 2009, depois de declarar falência. “Nós queremos continuar, mas as dificuldades inerentes à crise no mercado de luxo reduziram consideravelmente os nossos lucros”, declarou o presidente da marca, Nicolas Topiol.

Mas não foi apenas Lacroix a sofrer os efeitos da crise. Também foram afectados o grupo Arcadia, um gigante do retail inglês proprietário de marcas como Topshop, Dorothy Perkins, Topman e Burton, que no final de 2011 anunciaram o encerramento de 260 lojas num prazo de 3 anos também devido ao sobre-endividamento. Outras marcas mais pequenas como El Delgado Buil e David Delfin também se despediram da indústria enquanto que as mais pequenas viram os seus lucros afundar consideravelmente.

Democratização do luxo

O cenário é adverso, mas o negócio da moda parece ter encontrado uma boa estratégia para o enfrentar. Como? Através de alianças entre estilistas de primeira linha e marcas de moda “low-cost”. Eles dão o seu nome e uma proposta criativa nova, que refresca a firma com a qual se aliam, enquanto que as marcas “low-cost” oferecem uma ampla vitrina a um público massivo

Zara
Zara

Aqui sim, ninguém casa com ninguém, é mais uma relação por conveniência que adquire o título de colecção cápsula. São pequenas linhas de edição limitada com um numero muito reduzido de peças – o que explica o desejo quase incontrolável de ter uma – e que apenas se vendem nas lojas mais importantes de cada marca. Além disso, o “low-cost” é variável, e muitas vezes as peças são mais caras do que o prometido na oferta.

A publicidade é a chave e o que faz deste negócio um “win-win”. Não se trata dos estilistas massificarem a sua roupa, porque as colecções cápsula são muito reduzidas no stock, mas sim provocar “ruído” no início de cada temporada, mostrar-se através de uma vitrina, ter algo desejado por todos, com um caracter que mistura a passarela com a moda de rua. Para além disso, e como divulgou o New York Times, cada colaboração leva aos estilistas somas superiores a um milhão de dólares (cerca de 900.000 euros).

H&M
H&M

H&M é quem lidera este tipo de alianças com nomes como  Lanvin, Versace, Marni e Anna Dello Russ. Jean Paul Gaultier para Target, Juanjo Oliva para Elogy, Diane von Furstenberg para Gap e Mary Katrantzou para Topshop são outros nomes que confirmam esta tendência.

Outros, como Karl Lagerfeld para Karl, Pierre Balmain para Balmain e Marc Jacobs para Marc, decidiram criar as sus próprias linhas “low-cost”  A reação do público é quase sempre a mesma: enorme expectativa com os rumores de uma possível colaboração, o colapso dos sites das marcas no dia de lançamento e ainda o esgotamento em poucos minutos dos stocks disponíveis. E não faltam os que fazem deste um grande negócio, comprando tanto quanto podem e, em seguida, revendendo a um preço consideravelmente mais elevado através de internet.

Uma reinvenção de luxo, que está a emergir como uma forma democrática para resolver a crise na indústria, que agora também ameaça o setor têxtil. Publicidade para designers, clientes satisfeitos com as marcas maciças e, é claro, a possibilidade do público ter uma peça de roupa com a qual só tinha sonhado vendo nas revistas e publicidade dos média.

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