Uma (Sub)sociedade chamada tribos urbanas

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Uma (Sub)sociedade chamada tribos urbanas

Por Maitê Karen – @maite_karenfurtado

O surf e o skate como elementos diferenciadores

Diz-me que género de música ouves, que estilo de roupa mais te identificas ou que filosofia de vida segues à risca e dir-te-ei quem és.

A mútua partilha de ideologias, conceitos, referências pessoais e visão do mundo, são fatores determinantes na inserção de um grupo.

Quando se fala em tribos urbanas, fala-se invariavelmente sobre um reflexo da globalização da sociedade moderna, o que resulta numa vontade ímpar, por parte dos jovens, de se diferenciarem mas principalmente de se identificarem, através da junção de um grupo de partilha de valores.

Fatores definidos por algumas especificidades comportamentais e estéticas, permitem essa identificação.

Desde os primórdios da humanidade, que as pessoas se organizam em grupos, que por serem tão particulares, deram lugar às tribos, equipas coesas, com um código de vestuário e hábitos muito parecidos.

O conceito de tribos urbanas surgiu pela primeira vez em 1985, quando o sociólogo francês Michel Maffesoli utilizou o termo, ao referir-se à criação de pequenos grupos, cujos elementos interligam-se pela partilha de ideias, preferências musicais e estéticas que assumem a sua maior expressão durante o período da juventude.

Estas tribos surgiram como fator de distinção dos seus integrantes em relação ao resto da sociedade e por isso poderíamos selecionar inúmeros grupos, mas ao longo deste artigo vamos conhecer melhor, dois deles, os surfistas e os skaters.

Surfistas:

A tribo do surf surgiu nos Estados Unidos em 1950 impulsionada pela popularidade do desporto na Califórnia e têm um estereótipo de beleza muito definido, pelo ideal do cabelo loiro e pele bronzeada, queimada pelo sol.

Os surfistas são muito conhecidos pelo seu estilo de vida descontraído e relaxado, onde abraçam uma filosofia caracterizada por um lema super easy-going e com uma preocupação constante pela natureza e o impacto do ambiente.

Ainda assim, desengane-se quem prefere pensar que os surfistas não têm estabilidade ou segurança na sua profissão.

Atualmente o surf de elite proporciona uma elevada rentabilidade aos seus atletas, muitas vezes patrocinados por marcas como a Billabong, O’Neill ou Rip Curl.

O surf feminino também tem ganho adeptas um pouco por todo o mundo, quer sejam atletas profissionais que participam em campeonatos e integram os circuitos ou simplesmente as que praticam o Freestyle.

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O surf na moda:

Em 2017 a marca brasileira de óculos de sol, Chilli Beans, lançou uma coleção inédita inspirada no “Night Surf”, pretendendo assim, espelhar o quotidiano de vida na praia e a diversão de surfar à noite.

A coleção é repleta de referências sobre a natureza, como a presença do mar, que empresta a sua textura de conchas e areia às hastes dos óculos.

Surf à noite, a inspiração da Chilli Beans

Para além da Chilli Beans, a marca de luxo Chanel (sim a própria) também se juntou ao movimento de trazer elementos da cultura do surf, para a sua própria linha ao realizar uma fusão entre o desporto e a moda.

A Chanel lançou uma coleção de pranchas inspirada na tribo surfista

Do mar para o cabeleireiro – Inspirações de hairstyle com influência surfista

As mulheres surfistas transportam consigo, um charme natural inerente à simplicidade com que se apresentam e esse “je ne sais quoi” deve-se muito à maneira como encaram o mundo e mantêm uma comunhão incrível com o mar.

Como consequência, o cabelo também é uma das formas de se ditar uma moda e o “surf girl hair” é tendência, não só entre as surfistas, como também para as restantes adeptas de “beach waves” e de nuances douradas.

Skaters:

A história do skate remonta-nos até ao final da década de 60, período onde um grupo de surfistas provenientes do estado da Califórnia, começaram a idealizar a conceção de uma prancha que deslizasse pelas ruas, quando atravessassem uma época de maré baixa e isso os impossibilitasse de surfar.

A ideia excedeu expectativas e os surfistas inventaram uma nova forma de surf, o sidewalk surf, contudo, foi na década de 70 que o skate evoluiu significativamente enquanto desporto, pois foi nessa altura que começaram a usar as piscinas vazias para praticarem o skate vertical.

Hoje em dia, o que outrora foi uma forma improvisada de deslizar, concedeu lugar às famosas rampas utilizadas pelos praticantes da modalidade.

Os skaters caraterizam-se como uma das maiores e mais conhecidas tribos urbanas da humanidade, pelo seu estilo diferenciador e autêntico, onde partilham hábitos e valores culturais idênticos.

O skate feminino foi o grande responsável pelo surgimento do boom de novas atletas que já mostraram o seu valor, ao se tornarem referências de topo no circuito.

Apesar de manobrarem como ninguém, ainda mantêm a mesma feminilidade.

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O skate na moda:

Em 2013, a marca de moda Oh, Boy! apresentou uma proposta inusitada para o verão daquele ano, resultante de uma coleção mesclada entre elementos da cultura cigana e da cultura skater, o que originou o nome “Gipsy skate”.

A inspiração não podia ter resultado melhor pois o objetivo era conquistar um público jovem, moderno e de espírito aberto, qualidades inerentes a qualquer tribo urbana.

Uma (Sub)sociedade chamada tribos urbanas

Desfile da coleção Gipsy Skate da marca Oh, Boy! em 2013

Uma (Sub)sociedade chamada tribos urbanas

Semelhante ao que aconteceu com o surf, a marca de luxo Chanel, também lançou uma coleção de skates em homenagem ao desporto e como tributo a este grupo da sociedade.

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Modelo de skate lançado pela Chanel em 2019

Imagens: divulgação Uma (Sub)sociedade chamada tribos urbanas . .
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