Violência: de onde vem e como a deter?

Violência: de onde vem e como a deter?

As recordações que Sara (nome fictício) tem da sua infância são completamente distintas dos que guardam a maioria das crianças. A sua etapa pré-escolar, que deveria trazer alegria ao seu consciente, coincidiu com os primeiros encontros com o stress, com o medo de não cumprir com as expectativas da mãe, e libertar a sua ira pela sua “incapacidade de ficar na frente dos melhores da escola”. Esta atmosfera sempre a cercou e, à medida que crescia adquiria uma matriz cada vez mais violenta.

Um poder mal direcionado

Os especialistas neste campo, afirmam que a violência é um acto de poder e controle de uma pessoa sobre outra. De facto, para que exista violência o agressor deve sentir que tem mais poder e força física. Por isso mesmo, sente que tem o direito a que todos lhe obedeçam. No entretanto, a vítima acredita que não se consegue opor aos desejos do outro.

Mas o que impulsiona alguém a converter-se em agressor? Os especialistas estão de acordo que a violência é aprendida, todos temos um pouco dela pois é ela que nos ajuda a enfrentar os problemas mais corriqueiros do dia a dia, embora a verdade é que existem culturas que favorecem a submissão a outros.

Jamais recuperará a sua alegria pela vida
Jamais recuperará a sua alegria pela vida

A violência psicológica é, muito provavelmente, a mais difícil de identificar. Quem pensaria que esses olhares que as mães deitam aos seus filhos para os controlar podem ser uma manifestação desta natureza? A violência subtil é a mais ampla, é a maneira com a qual se pode humilhar ou desvalorizar alguém. A própria indiferença o é: diminui o poder e o equilíbrio da pessoa que a recebe. Assim, conclui-se que uma agressão não para mas se intensifica com o tempo.

De acordo com Sara, a mãe não lhe permitia fazer amizades. “Acabam sempre por te trair”, dizia, pelo que Sara nunca se atreveu a levar ninguém a casa, ou pior ainda, ter um namorado.

Os psicólogos dizem que este comportamento é muito comum nos agressores. E quanto menos suporte afectivo a vítima tiver, maior é a possibilidade de a submeter.

Regra geral este problema é um círculo vicioso, ou seja, quando um pai é violento para com os seus filhos, faz isso porque por sua vez vem de um ambiente semelhante pelo que descarrega a sua raiva e frustração nas crianças; ensina-as a obedecer sem respeito pela sua individualidade e a disciplina converte-se num pretexto para a violência. A única maneira de parar este ciclo é colocar um ponto final com firmeza, mesmo que isso signifique quebrar completamente um relacionamento. Hoje Sara trata de reconstruir a vida, procura uma promoção laboral ao mesmo tempo que se quer apaixonar e ser feliz, viver em paz. Confessa que, apesar das cicatrizes psicológicas teimarem em não se fecharem, já se preocupa mais com a sua aparência física, perdeu peso, e até á capaz de se olhar ao espelho.

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